sexta-feira, 20 de junho de 2008

Cultura do Esporte / O lado criativo das coberturas esportivas

Antonio Maria Filho (à esquerda) foi o convidado do professor Vitor Iório para fechar o ciclo de palestras que, na quarta-feira anterior, teve o radialista Luiz Mendes
Foto: Lauro Freitas Fº / EsporteAgito



Para uma platéia formada basicamente por estudantes, o renomado jornalista esportivo Antonio Maria Filho deu ontem (18 de junho) uma verdadeira aula de como se pode fazer uma cobertura de Copa do Mundo com criatividade, explorando outros ângulos do universo que envolve os megaeventos, muito além do mero noticiário factual de treinos, jogos e declarações de atletas, comissão técnica e dirigentes.
Em duas horas de um animado bate-papo, Maria Filho falou sobre os bastidores das grandes coberturas, contando histórias e acontecimentos pitorescos por ele vividos ou presenciados ao longo de 40 anos de atividade no esporte, no encontro que encerrou o ciclo de palestras comemorativo aos 50 anos da conquista do primeiro “caneco” pelo Brasil, em 1958, no projeto Quarta às Quatro da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro.
Sob o tema Na caminhada para o penta, a velocidade da notícia, o jornalista – que desde 97 assina a coluna Panorama Esportivo do jornal O Globo – ilustrou sua apresentação com slides de matérias que ganharam destaque (algumas delas com repercussão internacional) pelo ineditismo de seu conteúdo.
Com a concorrência cada vez mais acirrada entre os veículos de comunicação, o repórter tem que estar permanentemente ligado em tudo o que acontece em sua volta para buscar sempre a notícia diferenciada. Hoje, com a internet, os blogs, as transmissões em tempo real e as televisões a cabo, se o jornalista do veículo impresso ficar restrito somente ao que acontece nos treinos e nas coletivas estará no mínimo 24 horas atrasado, porque a informação impressa só sai no dia seguinte à apuração”, ensinou Maria Filho.
Entre os exemplos de reportagens de sua autoria que entraram para a história do jornalismo esportivo exatamente por essa busca incessante da informação diferenciada, o jornalista destacou o encontro de Zico com parentes portugueses que não conhecia, durante uma viagem da seleção brasileira à Europa; um improvável bate-papo entre Yoko Ono, viúva de John Lennon, com Falcão, Renato Gaúcho e Mozer no avião que conduzia a seleção brasileira e a banda de Yoko para Budapeste (Hungria); e a mútua tietagem entre Romário e o recordista mundial e olímpico de atletismo Carl Lewis em um hotel na Europa.

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