Um dos mais charmosos clubes do Rio, São Cristóvão é
rebaixado para a Terceira Divisão pela primeira vez em 113 anos de existência
Da Redação do EsporteAgito
|
Campanha pífia dos cadetes resultou no rebaixamento Foto: Anderson Luiz/Divulgação |
Apesar de ter anunciado, no final de 2011, a assinatura de um
patrocínio com a empresa de saúde Assim, que renderia R$ 1 milhão por ano aos
cofres do clube, o São Cristóvão não soube fazer o dever de casa e, pela
primeira vez em mais de cem anos de existência, amarga a tristeza e o vexame de
ser rebaixado para a Terceira Divisão do futebol profissional carioca.
O “fantasma” da terceirona se tornou realidade neste domingo
(10 de junho), com a derrota do Imperial, de Petrópolis, para o Mesquita por 1 a 0. Sem entrar em campo, o
time cadete havia faturado os três pontos da rodada ao
vencer por W.O. o Carapebus (que foi excluído do campeonato pela Federação e
punido com o rebaixamento) e dependia de uma vitória dos petropolitanos para
tentar se salvar na última rodada do estadual da Série B, no próximo fim de
semana, quando enfrentará o próprio Mesquita – algoz da sua degola.
Um dos clubes mais tradicionais do Rio, campeão carioca de
1926 e que se orgulha de ter revelado para o mundo o talento de Ronaldo
Fenômeno – que, no entanto, somente vestiu a camisa cadete nas divisões de base
–, o São Cristóvão deixou a elite do futebol carioca há quase 20 anos, período
em que a situação financeira do clube se deteriorou chegando a um tal estado de
penúria que cogitou-se até a venda do folclórico estádio de Figueira de
Melo (o Figueirinha), tentativa felizmente vetada, em março último, pelo
Conselho Deliberativo.
Fechada a parceria com a Assim - que segundo divulgou a
diretoria são cristovense na época, representaria uma entrada mensal de cerca
de R$ 70 mil - criou-se a expectativa de contratação de reforços para que,
finalmente, o clube pudesse disputar com maiores chances as duas vagas da
Primeira Divisão estadual em 2013.
Mas o que se viu foi justamente o contrário. O time, ao
invés de reforçado, disputou a Série B com jovens jogadores que se mostraram
ainda imaturos para atuar entre profissionais. Cinco treinadores comandaram a
equipe em pouco mais de três meses de competição, sendo que o atual técnico,
Jorge Madeira – ex-volante do clube na década de 70 e há 45 anos funcionário da
casa – foi o que teve a maior permanência.
A campanha do São Cristóvão no estadual da Série B deste
ano, que culminou com a histórica queda para a terceirona, foi sem dúvida uma
das mais pífias do clube em seus 113 anos. Na fase classificatória, terminou na
vice-lanterna do Grupo A, disputado por 10 clubes, com apenas 18 pontos. Em 20
jogos, foram somente 4 vitórias, 3 empates e 13 derrotas.
Na classificação geral, somando os grupos A e B, no total de
20 agremiações, o São Cri-Cri só não foi pior que o Carapebus (16 pontos), o
Juventus (16) e o Imperial (11).
Na fase seguinte, no Grupo X – chamado “Grupo da Morte”
porque é disputado pelas seis equipes de pior desempenho que se enfrentam entre
si para salvar quatro, os cadetes pagaram um vexame maior ainda: em 9 jogos, 2
empates e 5 derrotas. E o que é pior: as duas únicas vitórias foram obtidas por
W.O. sobre o Carapebus, excluído da disputa pela Federação.
Resta agora torcer para que o simpático e tradicional clube
da Rua Figueira de Melo tenha forças para ressurgir das cinzas para o bem do
futebol carioca, que sem o São Cristóvão, com certeza, perde muito do seu
charme.